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Celular no trabalho: quando a distração pode comprometer a segurança?

Celular no trabalho: quando a distração pode comprometer a segurança?

Celular no trabalho: quando a distração pode comprometer a segurança?

O celular já faz parte da rotina profissional. Comunicação entre equipes, chamadas, registros, consultas e acesso a informações tornaram o aparelho uma ferramenta útil em muitos ambientes de trabalho.
 

Mas existe uma questão que merece atenção: o que acontece quando o celular disputa a atenção de um profissional durante uma atividade que exige concentração?
 

Em setores como construção civil, manutenção, elétrica, telecomunicações, infraestrutura e trabalho em altura, atenção não é apenas uma questão de produtividade. Ela está diretamente relacionada à capacidade de perceber o ambiente, identificar mudanças e tomar decisões adequadas.
 

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A distração pode começar antes de pegar o celular

 

É comum pensar que a distração acontece somente quando alguém para o trabalho para responder uma mensagem ou atender uma ligação.
 

Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance mostrou que uma simples notificação de celular pode prejudicar o desempenho em uma tarefa que exige atenção, mesmo quando a pessoa não interage diretamente com o aparelho.
 

O som ou a vibração podem despertar pensamentos sobre a mensagem recebida e direcionar parte da atenção para aquilo que acabou de acontecer.
Ou seja: não é necessariamente preciso abrir o WhatsApp.
Uma notificação já pode competir pela atenção.

 

Atenção é um recurso limitado

 

Quando uma atividade exige concentração e surge uma interrupção, ocorre uma mudança de foco.
 

“Quem mandou?”

“Será que é importante?”

“Preciso responder?”
 

Mesmo que o celular permaneça no bolso, a atenção pode ser parcialmente desviada.
Em uma tarefa administrativa, isso pode significar perder produtividade ou precisar de alguns segundos para retomar o raciocínio.
Em uma atividade operacional, a situação pode ser diferente.

Quando o profissional precisa acompanhar constantemente o ambiente, equipamentos, movimentações e condições da atividade, qualquer fator que concorra com essa atenção merece ser considerado.

 

E na construção civil?

 

Pesquisas na construção civil estudam a relação entre atenção, distração e segurança. Estudos publicados na Automation in Construction utilizaram EEG para analisar foco e vigilância de trabalhadores em atividades de campo.
Os resultados não permitem afirmar que toda distração causa acidentes, mas reforçam a importância da atenção em ambientes de risco, especialmente quando as condições de trabalho podem mudar rapidamente.

 

O celular também pode ser uma ferramenta de trabalho

 

É importante evitar uma conclusão simplista.
O celular pode ser extremamente útil para profissionais e empresas. Pode facilitar a comunicação, registrar informações, consultar documentos, localizar equipes, fazer chamadas de emergência e apoiar diversas atividades.

Por isso, a questão não deveria ser simplesmente:

 

“Celular pode ou não pode no trabalho?”
 

A pergunta mais importante é:
 

“Neste momento, minha atenção precisa estar onde?”
 

Se a atividade exige concentração, percepção e acompanhamento constante do ambiente, talvez aquele não seja o momento adequado para responder uma mensagem ou verificar uma notificação.
 

Experiência não elimina a necessidade de atenção

 

Existe ainda outro fator: a familiaridade.
Profissionais experientes conhecem suas atividades, seus equipamentos e seus ambientes. Isso é uma grande vantagem.

Mas tarefas repetidas também podem se tornar automáticas.

Pesquisas sobre atenção em trabalhadores da construção indicam que experiência, exposição contínua e percepção de riscos são fatores importantes para compreender como os profissionais mantêm a vigilância durante suas atividades.

Por isso, experiência não significa ausência de risco.

 

Conhecer muito bem uma atividade não significa que devemos prestar menos atenção a ela.
 

O que isso tem a ver com prevenção?

 

Prevenção não começa somente com equipamentos, procedimentos ou sinalizações.
Ela também envolve comportamento.
Uma ferramenta adequada é importante.
Um equipamento de proteção adequado é importante.
Um procedimento bem definido é importante.
Mas tudo isso depende também da capacidade do profissional de perceber, avaliar e agir diante das condições da atividade.
E é nesse ponto que o celular entra na discussão.
Ele não precisa ser tratado como vilão.
A questão é entender quando uma ferramenta de comunicação deixa de ajudar e começa a competir com a atenção necessária para realizar o trabalho com segurança.
 

A atenção também faz parte da segurança
 

Para quem atua na construção, manutenção, elétrica, telecom, infraestrutura e trabalho em altura, segurança exige atenção ao conjunto. Equipamentos, procedimentos, treinamento e comportamento fazem parte da prevenção.
O celular também está presente nesse ambiente. Pode ser uma ferramenta útil, mas se torna uma distração quando tira o foco de uma atividade que exige atenção.
Se o trabalho exige concentração, uma interrupção pode desviar o olhar justamente quando ele mais importa. Antes de olhar para a tela, observe a atividade e o ambiente.
Antes de responder uma mensagem, esteja atento ao que acontece ao seu redor. Em algumas situações, poucos segundos de atenção podem valer mais do que uma notificação.

 

Estudos científicos utilizados

The attentional cost of receiving a cell phone notification

Autores: Adrian F. Ward, Kristen Duke, Aimee Gneezy e Maarten W. Bos.

Monitoring distraction of construction workers caused by noise using a wearable Electroencephalography (EEG) device

Autores: Jinjing Ke, Ming Zhang, Xiaowei Luo e Jiayu Chen.

Monitoring workers' attention and vigilance in construction activities through a wireless and wearable electroencephalography system

Autores: Di Wang, Jiayu Chen, Dong Zhao, Fei Dai, Changjian Zheng e Xiaobing Wu.

Understanding construction workers’ cognitive processes under risky scenarios through electroencephalography

Autores: Tanghan Jiang, Yihai Fang, Nan Zheng e Jiayu Chen.
 

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